11 de dezembro de 2010

você gostaria, bem meu, mas fiz questão de esquecer você. tem um de nós sempre desconfigurado, pensei nisso passando manteiga no pão de beterraba, só para variar. dá cá toda sua esperança para mim. uma coisa que nunca te contei é que eu lia as cartas que escrevia para ela em voz alta antes de dormir, as vezes gravava uma fitinha sete e enviava na caixa postal para várias pessoas, talvez você me achasse invasiva mas nunca me importei mesmo. eram bombas, eu dizia sempre em mesmo tom como notícia de jornal qualquer. nuran chegou hoje um pouco nervoso, trouxe algo delicioso, um doce. eu tinha sonhado com esse doce fazia tempo, não sei o nome, tem massa amarela fina, e uma cobertura de creme rosa em cima e no final uma cobertura daquela fruta que agora me esqueci. por falar em frutas, o marido da thereza trouxe hoje uma jaca do tamanho da cabeça de um elefante e disse que vai demorar dois meses para cicatrizar. tem cheiro de jaca. deixei em cima na pia da cozinha com um bilhete, não toque na jaca, tenho medo de jan pegar achando que é veneno. acho que fui um pouco exagerada. sinto frio. estou triste e vazia. parece que essas artes morreram. ouvindo catherine wheel e tentando tirar a água acumulada no painel, acho que o carro vai inundar, as vezes acho que a errada sou eu, bem que podia nevar, sonho em ficar presa no carro durante um tempo. tenho tentado ficar sozinha. apesar disso nuran bate em casa para levar cds. eu nunca ouço. hoje sou imbecil. penso muito no sorriso da ana em disengagement e no abraço que ela deu naquela mulher suja de tinta. a vida ainda não morreu.

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