12 de dezembro de 2010

desespero discreto e autônomo o seu quando a noite se abre no apartamento vazio, dizendo de um panorâmico dos mais secretos perdões que você poderia ter concedido ao mundo, mas não, e você ainda sente ódio amargo ou parece ter se esquecido a barba para olhar o letreiro luminoso da rua acima e andar até lá, somente porque a hora não passa, mas eu estava vendo seus olhos bêbados, como se fosse o estritamente necessário por abrir metade da porta esquerda de vidro para olhar você mais de perto tomando café gelado. a tristeza de domingo não passa, amor, e você vaga pelas junções de ardósia em náusea implícita esperando a próxima oportunidade de perder de vista a garçonete e fingir que se esqueceu do pedido para forçar ainda mais a ausência das poltronas ao lado, porque você está sozinho e ninguém ao lado vai compartilhar sua displicência para consigo, então você permanece sentado sem nenhum gole, nenhum golpe armado de escotilha, somente a fadiga excessiva de viver domingo sem ter o que procurar e talvez nem se os homens notassem essa sua falta de clareza falta de sentido morto falta de calor distante enquanto em calo seu desejo morre e te tenho em falta, sua vida mole, o saleiro aberto, nenhuma outra preocupação, somente o descaso ainda escuro do vento que não entra pela janela aberta e você ainda precisa retirar o casaco para tampar o buraco do ar ausente . é, a natureza não tem culpa, apenas os ouvidos a ouvirem o adeus do caixa a contar as poucas moedas que caem nas frestas ou o longo adeus da mulher ao lado que ama desesperadamente ama tão desesperadamente que se esqueceu do amor e pulou na frente do primeiro carro que passou, essa mulher que sou eu, essa mulher que já te perdoou ou apenas tentou retirar de frente o prato vazio para não ter que se preocupar com o fato de já ter terminado e de ter sua presença desperdiçada na mesa. então ela te olha da imperfeição lógica da placa de aberto que será em breve transferida para outro parecer e você se levanta com uma nota de dor máxima no balcão e se coloca da janela do carro e eu vejo dentro uma página rosa em cima de uma luzinha fraca ligada que revela um assombro qualquer. solto a porta de vidro e caminho em sua direção, você me olha fundo e desaparece para o próximo quarteirão, porque você não teve coragem de andar uma rua e dobrar a esquina, porque qualquer outra distração será bem-vinda e você gastará uma hora a escovar os dentes, uma hora para cada peça de roupa, uma hora até pensar no próximo sorriso que te darei na próxima oportunidade. e você voltará amanhã amanhã e um dia saberei que veio a pé para buscar um café que será dessa vez bebido quente com amor ou saberei que se matou pulando na frente do primeiro carro que passou, e eu volto e ligo o noticiário, afundo no sofá e eu mesma seguro minha mão, porque é preciso que a minha própria mão me pergunte dos outros desertos, é preciso que a minha própria mão me abra as outras portas de vidro da sala, e ainda é domingo. quando é que esse domingo vai acabar, e você não consegue uma diversão platônica, um medo mortal de achar alguém que reconfigure as bordas do seu vestido, uma alegria distante, o ser atriz que nunca fui. a noite sem gestos apenas engole fundo o rastro do tempo, essa coisa que cada dia cicatriza mais com o passar dos ponteiros e os olhos de turmalina a vagarem pelo corredor vazio porque ninguém veio cozinhar, a fenda do short vermelho de cetim que se abriu mostrando ao mundo um pedaço inteiro da minha bunda. é litoral, talvez se eu trocasse a música ambiente, se pedisse para dormir a céu aberto ou simplesmente adormecesse no banco da praia com o esforço do pôr-se de sol e em pé. o tapete verde é macio, é o início dos anos noventa que ainda não acabou , ahm o risco do fósforo molhado que não acendeu, e eu gargalhando sozinha na cozinha por que ninguém me consola. um desejo incongruente, vou me desviar e sair de novo, e talvez por um lapso seguir sua direção, essa noite.

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