23 de maio de 2011

não mais ousei a escrever. nunca imaginaria que os seus auxilios me atormentariam dessa forma. ontem atendi na mercearia uma mulher com um ramalhete de trevos encrustados no pulso. estou sem contato humano - ao que tudo ou qualquer coisa querida me parece tão grandioso e quanto mais grandiosas são as coisas mais me puno pela minha inutilidade. e no que me separa da conscientização do real trabalho de um projeto e de todos os meios para realiza-lo, encontro a dificuldade do vazio. trevos incrustados no pulso. daquele exercício de contenção retirei uma fratura exposta. a dor física tem sua utilidade, desata os laços que nos prendem ao corpo, nos liberta de fluidos grosseiros. contenção tem a ver com depuração de excesso. não resistir ao apelo do sofrimento. a dor é santa. sem cantos lúgubres. a mulher, eu já a conhecia. a ciência é digna de comoção e adoração mas nela não há sequência, coesão ou sequer unidade. unidade. insípidas classificações de fatos materiais são inconciliáveis à idéia de justiça, causando falsa impressão de que a força é o único direito.

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